Feliz Natal

Publicado: 24th Dezembro 2011 por fco_cleyton em Uncategorized
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Feliz Natal

“Presentear-lhes aos teus corações e de comemorar a sua felicidade”

PÁGINAS SOLTAS DO LIVRO DA HISTÓRIA DO HCS

Publicado: 19th Novembro 2010 por fco_cleyton em Uncategorized
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Meu nome é Francisco Clayton Rocha Costa, nascia de 1990, hoje, aos 21 anos. Sou Surdo, falava normalmente e escuto um pouco.

Já tenho uma longa história de vida e de participação na vida, é graduado em Direito e pós-graduação em Ciências Sociais, ex-secretário geral da Associação dos Surdos LGBT do Ceará – ASLGBT, ex-coordenador da Pastoral dos Surdos do Bairro: João XXIII, representante pelo Movimento das Pessoas com Deficiência do Ceará – MPCD, agora sou vice-presidente da Associação dos Surdos Organizados de Fortaleza – ASOF, também sou secretário da Pastoral dos Surdos do Bairro: João XXIII e agora trabalho do Líder Mobilizado do Laço-Fita Azul. Dedicando-se à luta por uma cidade mais inclusiva onde todos sejam aceitos e respeitados como cidadãos, independente da sua condição social, étnica, sexual, cultural e identidade surda.

Oriundo do Movimento dos Surdos dedicou grande parte de sua vida liderada para atuação decisiva na discussão da implementação das Escolas Bilíngues para Surdos (Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005) – A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009.

Preocupados e comprometido com a situação da Web-ativismo, trata-se como a comunidade surda, foi feito com a internet de tecnologia para experiência e ferramenta do movimento do projeto web-ativismo 2010, ajudei a informação de pessoas com deficiência.

Francisco Clayton teve participação do Movimento das Pessoas com Deficiência do Ceará – MPcD, é o termo de compromisso de afirmar para as pessoas com deficiência, a respeito e acessibilidade e não se cansa de fazer quando recebemos alguma denúncia do descumprimento da lei. O termo foi assinado e obrigado da adaptação dos deputados estaduais, deputados federais, senadores e governadores. Que pautou a situação precária da saúde, segurança, educação e lazer. Mas já é tão importante para a sociedade inteira e ainda consegue pior para as pessoas com deficiência.

Agora tenho à frente de luta conquista, onde trabalho na campanha das pessoas com deficiência, que tem como objetivo de divulgar e fiscalizar sobre as autoridades de seus direitos das pessoas com deficiência na área da educação, saúde e direitos humanos. Cresci na luta pelos direitos de todos a uma vida digna, ao respeito pela diversidade seja uma realidade de pessoas com deficiência e não apenas tive umas das palavras escritas nas leis que regem nosso país.

CLAYTON, QUE NÃO É MUDO, ERA COORDENADOR DA PASTORAL DOS SURDOS DA PARÓQUIA IMACULADA CONCEIÇÃO!

Posso dizer que o trabalho da comunidade surda, Apesar das outras dificuldades e consultas de área com surdez.

Desde o início, faço parte do evento da Pastoral dos Surdos do Bairro: João XXIII e também tiveram comemorando-se aos 05 anos da Pastoral dos Surdos – João XXIII. Deparei-me com a situação mais ideal possível de firmamos o compromisso. E, estava no meio de uma festa com talvez umas 50 e 60 pessoas reuniram-se em círculo no espaço da comunidade. Lá havia representantes de várias pastorais dos Surdos de Fortaleza que se apresentavam na comemoração e de tantos outros lugares que bravamente preservam na Pastoral tão necessária. Se Deus quiser!

ELE ERA EXCELENTE EM INGLÊS, MAS NÃO EM LIBRAS!

 De uma forma da situação real possível de ajudar a socialização desse sujeito. As entrevistas que a professora Auri fez com tantas pessoas, nas tarefas da gincana de 40 anos do HCS, em junho de 2008 Portanto, guardo no momento rápido que sou aluno da 9º série A, naquele ano. Eu não escutei. Às vezes escuto um pouco. Às vezes uso aparelho num dos ouvidos que repercute alguma audição. Pouca. O direito. O esquerdo não ouve absolutamente nada, Por isso falo normalmente e oralizei. Hoje na verdade eu digo que falo muito, porque, falo mais do que via minha percepção naquele momento em o estrangeiro.

Ouvi-os, pareci um estrangeirinho. De outra língua mesmo, como prevê a denotação mais urgente. E é: um estrangeiro. Minha primeira língua é a nossa língua portuguesa (Fonoaudiólogo), mas, sim, Língua portuguesa. O que mudei a minha visão, ou melhor, quanto à minha audição e labial. Isso mudou muito nos anos recentes.

Inscrevi-me e fiz até o final: principalmente as de língua portuguesa. Muito me afligia que eu era tão bom estudante de língua inglesa, um aluno que, com facilidade, só obtinha nota 10, um estudante excelente, contudo não tão bom assim em LIBRAS e às vezes em Língua Portuguesa. Não ia nada bem a LIBRAS. Era nota 10 indiscutivelmente em inglês por seus méritos com certeza. Sabia tanto que ensinava aos outros. Os estudantes, até os mais estudiosos, procuravam-no, não por curiosidade, não apenas, mas eu realmente estudei de aprender inglês. Eu ensinava inglês a quem o procurasse, tive falar com sua vozinha ainda tímida estrangeira.

Instituída durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ensina-nos o menino com os dados na memória, na voz e nas mãos: lei 10.436, de 24 de abril de 2002, assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, ele insiste em repetir.

Uma marca fundamental que o diferencia de quantos, é a parceria. É a amizade, a socialização, estas e outras que vejo parceiras suas em tudo. Tantos estudantes no HCS nunca alcançaram as unânimes notas 10 em inglês que eu tive dificuldade e alcancei. E em 2008 não tivemos intérpretes em LIBRAS, lutei difícil de vencer! E nós não ensinávamos na língua deles, como ainda não ensinamos.

ENFIM A OPORTUNIDADE PARA A ENTREVISTA COM CLAYTON!

          Então, apesar dos obstáculos ligados e sempre tive limitado tempo, enfrentei isso que exige dedicação e tempo nem sempre encontrados perante outras prioridades. A inabilidade de uma entrevista com Professora Mailma, enfim a oportunidade para a entrevista da questão para mim, ainda desde o depoimento na gincana em 2008, fez um intermédio das minhas conversas com Diretor Luciano Sousa, pensou que a confirmação de nova tradução (interprete de Libras), para isso teve sempre o apoio da intérprete Sheila que se colocou à disposição na tradução da Escola Heráclito de Castro e Silva – HCS.

Apresso-me na expectativa de encontrar com os surdos que, em geral, intermediário das minhas conversas com dificuldades de LIBRAS. Eles estavam ocupando-se a primeira língua de sinais e a escrita pela língua portuguesa. Enfim num domingo, em junho de 2005, porém nunca conversei com outros surdos no que jamais acontece. A proficiência de Clayton, na nova língua surgiu, quase por acaso, a partir da catequese de crisma na Paróquia Imaculada Conceição. O meio sem querer, a minha mãe avisou-me com o convite da Pastoral dos Surdos, é a crisma das comunidades surdas, não quis desejá-los, por isso ouviu à notícia ao ponto final de uma missa no início de 2005. Eu tinha feito primeira comunhão, não com poucas dificuldades, reconheci. Não entendei nem como consegui. Fui à outra Paróquia, e fez mais só porque a minha queria. Então, na primeira eucaristia, enfrentei dificuldades por ter sido tudo em língua portuguesa, associado de alguma coisa de leitura labial esforçada, conta-nos. Na época, ainda não sabia da existência de uma língua só de surdos. A partir do aviso ouvido pela mãe na missa, eu fui conquistado aos poucos por ela a fazer a catequese de crisma em LIBRAS. Fui mais por imposição de novo de dona Raimunda, admite. Contrariando o que esperava, apaixonou-se, não apenas pela língua que não conhecia, porém logo se ligou à causa da evangelização. Em pouco tempo, passei a sentir vontade de que outros também alcançassem o que eu tinha atingido em incentivo para a oração em LIBRAS.

Carla Ylza, sua catequista, ainda não era intérprete na língua. Seu tradutor no grupo formado antes por três pessoas surdas, quatro com quem sou eu e era Fernando Júnior. Apesar disso, no começo, foi tudo bem complicado como nos tempos da comunhão, pois o catequizando igualmente não entendia quase nada, recorrendo a algo da leitura labial e ao que o intérprete dizia, falava mesmo oralmente, uma vantagem, já que ouvi algo através de um dos ouvidos. Porém sua paixão pela nova língua conduziu-o àquela vontade de aprender e ensinar. Carla nos conta que o crismando chegou à formação mais de um mês atrasada, principalmente porque eu detestava LIBRAS e não queria participar do curso naquela língua.

Estou cantando, dançando, falando com as mãos e o corpo na língua mágica. Interrogando um dos intérpretes, Fernando Parente Júnior descobre que aquele dia é exatamente a data em que, num espaço próximo, na Comunidade Católica Corpo Místico de Cristo, na Rua Júlio Braga, todos comemorarão os 06 anos da Pastoral do Surdo. Sorte a minha! Que ultimato bem arquitetado no tempo! No Corpo Místico de Cristo, E, embora fosse às férias do ano letivo que logo comecei o 2º. Ano do ensino médio.

Sou coordenador da Pastoral dos Surdos – João XXIII, sempre tava alegre e dinâmico, se fizesse uma exposição sobre o valor da Pastoral em sua vida, depois cantei o hino nacional, fiz uma oração pela Pastoral e por todas as outras, rogando a união delas, e então rezei o “pai-nosso”, tudo em sua língua, claro, dancei, participei da dinâmica preparada a língua. Finalmente, após esta experiência inédita, marcamos a entrevista para a próxima terça-feira, dia 23 de março de 2010 de tarde, ali perto mesmo, no Centro de Pastoral Padre Armando. É lá que a Professora Mailma faça a mim suas perguntas, gentilmente traduzidas pela intérprete voluntária.

SURPRESA: CLAYTON NUNCA FEZ CURSO DE LIBRAS!

A primeira coisa admirável, eu nunca terei feito sequer um curso de LIBRAS. Também praticamente não frequento escolas especiais somente de surdos. Mas de onde a proficiência em LIBRAS? Nesta língua que eu assumi às vezes até em detrimento da língua portuguesa e Libras. Em detrimento só às vezes, sim, pois conforme conversamos, durante a entrevista entre mim, a rápida assimilação para mim, por exemplo, à língua inglesa, segundo ela analisa, acontece devido ao que eu já não conheci da convivência com os surdos da Pastoral. Eu avalio que em geral eles preferem ignorar um tanto a língua portuguesa, assim como se não precisassem dela, não a adotassem, mas considerasse sua somente a língua brasileira de sinais, esta que é sua língua materna realmente. Entretanto esta é uma atitude para a qual a mim lhes alerta, dizendo: precisam mudar e assumir também a língua portuguesa.

Quando eu chegar a ela, que lhe deu as tarefas que eu precisaria aprender, a fim de acompanhar os outros três. Dentre as difíceis atividades incluía-se a de aprender, claro, em LIBRAS, orações: “Credo”, “Pai-nosso” e “Ave-Maria”. Relato a catequista que esta última é bem mais difícil, pois, apesar de ser o mais curta, parecendo, portanto mais fácil, mas é o menos praticado nas salas de catequese em LIBRAS, sejam de primeira eucaristia ou de crisma.

Ela relembra que aplicou as atividades, dando-lhe o tempo de que eu dispusesse à realização, embora precisasse aprender rapidamente por ter chegado depois. Surpreendendo-a e ao intérprete, eu já cheguei ao domingo seguinte com tudo aprendido e já sabia a difícil e menos praticada “Ave-Maria”.

A IMPORTÂNCIA DE DESCOBRIR A LIBRAS!

         Sou o caçulo dentre quatro filhos. Tem dois irmãos e uma irmã. No início de sua vida escolar, estudei no CAIC, depois fiz até o sétimo ano na Escola Municipal Presidente Kennedy, tendo chegado, em 2008, ao Heráclito de Castro e Silva para concluir o ensino fundamental, escola onde, em 2010, admito que pretenda encerrar o ensino médio, a fim de então fazer a faculdade para o curso de Direito e sociólogo na UFC, o que decerto vira realidade, pois, a universidade  há muito luta pelo vestibular inclusivo, feito nesta língua.  

No período entre 2005 a 2010, que ia fazer do tempo em que eu nem conhecia a LIBRAS, até quando eu tinha coordenador da Pastoral do Surdo, destaquei a importância da língua brasileira de sinais nas mudanças de sua vida. A partir de sua verdadeira língua descobriu os privilégios da evangelização e a certeza da inclusão. Porque é necessário destacar que eu quase sempre fui parte da escola que se chama escola de inclusão. Ou seja, eu estudei em escolas de ensino regular, a que luta para tornar igualitários todos, inclusive os ditos diferentes, assim rotulados por terem uma Escola Bilíngue para Surdos.

Portanto, vê-se que também vivi o cotidiano tantas vezes complicado pela falta de intérpretes e professores capacitados ao ensino dos surdos, assim como todas as consequências de tais carências desfavoráveis. Dizem que eu fosse resultado da escola inclusiva. E é. Embora seja uma escola geralmente sem intérpretes, eu tive oportunidades felizmente que o mesmo antes se dá. O que nem sempre acontece a todos aqueles com dificuldades, pois se cansam dos muitos obstáculos e desistem. Entretanto nós consideramos que se superasse e ultrapassam os maiores empecilhos, fruto antes de seu modo de ser no mundo, na sua missão de se incluir, nunca se isolar, independentemente das barreiras.

Não se isolou ou se sentisse preterido em alguma situação na escola ou em outro lugar. Não obstante, esta atitude que contribui para o excelente desempenho em tudo o que faço, compreendo que somente com a aquisição de LIBRAS, eu pude se realizar como incluído da veracidade. Adquirindo a língua, alcançada na prática do cotidiano da Igreja, passei a ter um sentimento de pertencimento a um grupo e não somente isso: estou decidindo na tarefa de incluir outros. Em 2010, estou no Heráclito de manhã e à noite. Estudo à tarde, todavia nos outros turnos ele geralmente, enquanto isso pudesse, estive na escola, a fim de auxiliar com os surdos que precisam de intérprete para se comunicar com professores, estudantes e outras pessoas como são seus amigos Deileon, Ronei Felício e Liza Mara, que precisam conversar e muitas vezes não conseguem.

SUA PRIMEIRA LÍNGUA É LIBRAS, MAS É PRECISO ASSUMIR TAMBÉM A LÍNGUA PORTUGUESA.

          De acordo com a conversa durante a entrevista, até se poderia cogitar algo do tipo: sua primeira língua é Língua Inglesa e às vezes em portuguesa; a outra, eu mesmo considerasse que é inglês, pela qual se esforçava que estudo, enfim, só depois talvez esteja nossa língua. Os surdos precisam aceitar aprender a língua portuguesa. Não se cansa de repetir sua convicção. Se eu não reconheço a língua portuguesa e LIBRAS da rotula de complicada, criticando-a especialmente por tantos motivos, justos que sejam, mas, acima de tudo, eu não gostei da língua portuguesa e LIBRAS pelos muitos elos, os conectores que considera desnecessários na língua de Camões, conforme são as inúmeras preposições.

Critica ainda o uso de outras categorias gramaticais que não existem a LIBRAS. Portanto, eu as considero dispensáveis em Português, atribuindo à sua língua materna a perfeição, relutância que provavelmente reforçava muitas dificuldades com a língua de seus pais, avós, parentes, amigos, professores e de todos, o que pudesse até a cada vez mais atitude.

Na conversa, para ratificar o propósito de que eu preciso assumir o estudo da língua portuguesa, um argumento, antes de tudo, de respeito ao outro. Argumento perante a aparente fuga: já que existem atualmente tantas pessoas aprendendo LIBRAS com a finalidade de melhor entenderem o contexto em que vivem os surdos, e com eles se comunicarem, também os surdos que têm o privilégio de saber LIBRAS, assim como eu e tantos, necessitam admitir o estudo e a aprendizagem da língua portuguesa, apesar de todos os obstáculos que com certeza nela há. Assim igualmente poderia haver em outras, como no inglês que eu não ouço, contudo por elas têm grande interesses, o que culmina em prazer, aprendizagem e notas excelentes que o fortalecem.

Na visão lúcida do estudante, inglês é bem mais fácil que português. Para ele, LIBRAS e a língua inglesa são parecidas na estrutura de uma gramática mais compacta, simples, resumida, eu digo e sei o que diz. Certificando, professora se admira, ao revelar que eu sabia se comunicar também no que corresponde a LIBRAS em inglês. Ou seja, além de que eu conseguir se comunicar por sinais com falantes de língua portuguesa, comunica-se com falantes de língua inglesa através da língua de sinais. Eu pensava que era uma língua universal! Por ser de sinais! Não, eu esclareço que há muitas diferenças até mesmo na língua de sinais que se fala no Brasil. Isso acontece do modo semelhante como a língua portuguesa é uma só, mas possui suas variedades linguísticas.

Dentre os inúmeros empecilhos à aquisição da língua portuguesa pelos surdos, parece que uma das mais difíceis pode ser a memorização de tantas significações, porque para eles é preciso fazer diferenças sutis, no entanto complexas. Exemplifique-se: a diferenciação entre o que sejam farinha e polvilho, que pode lhes aparentar coisas iguais, porém são diferentes. Assim são tantos outros inúmeros exemplos que não ultrapassam a eles o simples ato de decorar, logo, não ganham sentido, mas exigem apenas memória e eventualmente eles esquecem.

Então é provável que seja esta situação do jeito que sugere com a gente, quando, na sua ampla experiência adquirida com os surdos, assegura que podem as dificuldades com a língua portuguesa estarem bastante associadas à indisposição que ele às vezes ainda insiste para não aprender nossa língua. Eu desconheço há muitos anos e sabia de sua disciplina e capacidade de aprendizagem diante de qualquer conteúdo que o atraia, como soube assim que surdo conheceu, desde aquele segundo domingo da formação em crisma de surdos, em 2005, no momento em que eu lhe cheguei com as tarefas prontas no tempo recorde de uma semana, segundo ela, a mim ultrapassando o interesse de outros estudantes surdos com que a catequista já tenha convivido.

CLAYTON, QUE NÃO É MUDO, COORDENA A PASTORAL DOS SURDOS – JOÃO XXIII. ESCLAREÇO: RARAMENTE SURDOS SÃO MUDOS.

          No cargo de coordenador da Pastoral do Surdo da Paróquia Imaculada Conceição, Eu, com minha voz meio estrangeira, contei-nos que tenho uma agenda lotada, pois fiz cursos, formações diversas, participei de reuniões periódicas, como a da Pastoral de Fortaleza que acontece geralmente no quarto domingo de cada mês: o encontrão no Instituto Fillipo Smaldone, com sede na Rua Adolfo Siqueira, 273, Aldeota. Há muito tentam sem êxito ainda, todavia existe probabilidade de fazerem o primeiro congresso estadual das pastorais de surdos em 2011. Além disso, acontecem encontros regionais e eu preparo, em língua portuguesa, projetos a serem vivenciados pelos surdos que precisam e desejam participar da pastoral social que na verdade ela é, também devido à busca de inclusão, para o que atualmente elaboram um criativo do estatuto da ASOF. Eu também presido cursos introdutórios e até avançados de LIBRAS, dentre outras muitas atribuições que fazem deste estudante um ser atuante, um exemplar representante dos surdos, nos seus direitos e deveres.

Ah! Não se esquece de dizer: é escoteiro. Mas seja qual for sua atuação, não é um rapaz rigoroso, fechado nem quietinho, não. É brincalhão, tem bastantes amigos, gosto de fazer acampamento, fiz corridas como exercício físico e eu disse feliz, que gosto de dançar, ir a festas e conversar. Inclusive, no decorrer da entrevista, pois, comparando-o ao ano de 2005, relembrei que atualmente o que eu falo demais em língua portuguesa, de forma que às vezes pareço mesmo que nem é surdo. Para identificá-lo como surdo, é preciso mesmo conhecê-lo. Nem tanto assim!

Querendo certificar a igualdade, conto até que se desentende com os irmãos, com um sobrinho pequeno e com outros ouvintes e falantes de língua portuguesa, do jeito como fazem os rapazes de sua idade.  Ah! E ninguém queira ver, por exemplo, faltar intérprete nas missas das 17 horas de domingo na Imaculada, porque logo conheço um dos papéis de que o coordenador da Pastoral do Surdo, na sua voz altiva, não abre mão. Muda de cor e, de branquinho, fiquei vermelho de raiva. A missa interpretada em LIBRAS é uma conquista que eu compreendo fundamental na representatividade dos surdos. Dentre outras declarações bem mais leves, disse que namoro, embora, no momento da entrevista, admito estar dando um tempo com a namorada. Enfim. Tenho um desejo forte e uma luta constante de que as pessoas ouvintes aprendam a língua dos surdos e, desse modo, reconheçam o valor, a integridade e a capacidade deles na sociedade em que vivem.

Esquecemo-nos ou nem sabemos, mas provavelmente é da forma que nos alerta a seguir. E dá para nela confiar, pois, na sua convivência com a catequese e a Pastoral do Surdo, aprende. A intérprete nos lembra categórica: surdos não são mudos. Avalia que são raros os casos de mudez. Se eles não falam é geralmente porque não ouvem e assim não aprendem a falar. Eu atesto que não se usa mais entre eles o termo surdo-mudo.

Na sala de aula do nono ano A, parecia que era surdo e silenciado. Entretanto, no decorrer do ano, ele já lia, e lia bem, dando a entonação e fazendo a pontuação de um leitor proficiente de língua portuguesa. No começo daquele ano, eu, os outros estudantes e professores e muita gente na escola, nós acreditávamos que a estudante novata não ouvia nem falava. Não o conhecíamos. Não lhe dávamos a oportunidade da fala que eu podia. Eu era o que às vezes parecei que continuei sendo: um estrangeiro. Depois nos acostumamos a compreendê-lo, mas não porque sua língua é a língua brasileira de sinais, da qual eu sabia muito e não sabemos. Na verdade, muitos nem sabíamos que existia aquela língua. Eu estive chegando ao Heráclito, abri nossa mente a sua língua e seu mundo. Eu conheço sua língua. Não somente aquela que usa no cotidiano com outros surdos ou com os ouvintes e com os intérpretes que aprenderam a LIBRAS, porém sabia muito também do que esteja associado a leis, proteção, representação, direitos e deveres dos surdos.

Eu sou um representante dos surdos, e, acima de tudo, é um evangelizador em LIBRAS. Por isso diz que participo de congressos diversos, inclusive com as pessoas com deficiência, e ainda participo de formações não somente locais, mas nacionais e é um coordenador de pastoral atento a tudo em que possa atuar em favor do surdo, porque eu sabia o que é não ter uma língua própria, como, antes de conhecer LIBRAS, eu não tinha, ainda que enfatize nunca ter se feito um excluído. Mas isso tem mais a ver com o modo de encarar a vida no jeito positivo de viver pra mim.

Desejo saber qual a maior dificuldade que vivi os surdos, considerando que tem vivido sua trajetória estudantil inteira nas quais ousamos chamar escolas de inclusão. Ou seja, a convivência em escolas tidas como regulares, “normais”, assim mesmo entre aspas. O mais impressionante de tudo é o que eu nos revelo: seu maior incômodo é porque os ouvintes, as pessoas que normalmente escutam e falam, são pessoas muito barulhentas, zoadentas demais. Enfim, eu digo que não gosto que grite muito. Eu ressalto isso em LIBRAS e na sua voz estrangeira. Quero dizer, reforço na língua portuguesa, na qual imita o modo de os colegas de sala de aula se comportar. Gosto muito de todos e os respeito, além do que, não há quem não goste dele, mas conclui que os ouvintes de forma geral são bem barulhentos. Persiste e reconhecem que mais concentração, silêncio, reflexão com certeza resultaria em desempenho satisfatório aos estudantes que falam demais e gritam. O estudante é um exemplo entre seus colegas de escola, de forma que tem respaldo para assegurar e quase orientar mesmo os colegas que o toleram muito bem, então não tem medo de dizer: são para ele zoadentos, desconcentrados.

O que me fascina que eu tinha que eles, além de ler a realidade a sua volta, com certeza bem perceptível, apesar de meu limite auditivo, mas, ainda assim, encaram como a principal dificuldade até contraditória, pois ouvir poderia ser o maior sonho, entretanto eu não aceito ouvir qualquer coisa, diz-nos. Considero que eu represento outros surdos, não apenas por ser coordenador de Pastoral, um cargo em que no máximo ficará até dezembro de 2010, pois é em geral por dois anos que cada coordenação de qualquer pastoral permanece, se assim desejar, mas eu simbolizo bem o surdo e seu jeito seletivo, primoroso que demonstra uma certeza: os surdos sabem e decidem o que querem.

São muito práticos os surdos com sua língua do corpo. Nome do ônibus? Não, o número é um código mais simples de se comunicarem. LIBRAS não é tipo gíria, não é algo passageiro, não é coisa apenas de um pequeno grupo que resolve se fechar em si. LIBRAS, língua oficial de sinais do surdo, portanto uma língua objetiva, significativa, sábia, útil, necessária para tirar o surdo do seu aparente, e somente aparente, silêncio.

Publicado: 27th Julho 2010 por fco_cleyton em Uncategorized
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A presidente Dilma discursa durante cerimônia de lançamento do plano Viver sem Limites (Foto: Ueslei Marcelino / Reuters)A presidente Dilma Rousseff chorou ao discursar nesta quinta-feira (17) durante lançamento do plano Viver sem Limites, que pretende investir R$ 7,6 bilhões até 2014 na inclusão de pessoas com deficiência.Ela se emocionou logo após cumprimentar Ivy, de 6 anos, e Beatriz, de pouco mais de 1 ano – ambas têm síndrome de Down.Elas são filhas, respectivamente, do deputado federal Romário (PSB-RJ) e do senador Lindbergh Faria (PT-RJ), e estavam no colo dos pais durante a cerimônia.

“As duas menininhas tiveram aqui uma cena maravilhosa e enternecedora. A filha do Romário carregando a filha do Lindbergh”, afirmou a presidente.

“Eu acredito que em alguns momentos a gente considera que eles são muitos especiais, e aí queria dizer que, hoje, este é um momento em que vale a pena ser presidente”, disse Dilma provocando aplausos de pé da platéia. Em seguida, usou um lenço para enxugar as lágrimas.

“Obviamente é um momento de emoção. Estamos aqui hoje para celebrar a coragem de viver sem limites e com autonomia em um de seus aspectos mais importantes, a capacidade que nós seres humanos temos de nos transformar, de nos superar. A incrível força que há nas pessoas para vencer desafios e superar limites”, disse.

O início do discurso da presidente foi interrompido ainda por uma mulher da platéia, que se levantou para pedir “atenção especial” do governo às pessoas com autismo. “Sou mãe de uma criança autista. Pelo amor de Deus, só nós sabemos o quanto é difícil”, disse a mulher.

Estavam presentes à cerimônia de lançamento os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Fernando Haddad (Educação), Tereza Campelo (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Maria do Rosário (Secretaria de Direitos Humanos), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior (Planejamento), além dos presidentes da Câmara e do Senado, Marco Maia (PT-SP) e José Sarney (PMDB-AP), respectivamente.

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário – cuja pasta coordena o plano – disse durante o lançamento que “a inspiração e o comando [do programa] nasceram da própria presidenta Dilma” e lembrou que outros 15 órgãos do governo estão envolvidos na gestão das diversas ações previstas.

Maria do Rosário enfatizou que é dever do governo “retirar limites e barreiras” e promover a igualdade de oportunidade a pessoas com deficiência. Ela prometeu ainda que, até 2014, “todos as crianças e adolescentes com deficiência estarão na escola”.

“Vamos otimizar recursos, buscar resultados e assegurar o que é o nosso objetivo nesse plano: uma vida melhor para as pessoas com deficiências, percebidos como pessoas plenas no contexto de suas famílias e da sociedade brasileira”, afirmou.

Viver sem Limite
Do total de R$ 7.6 bilhões, R$ 1,8 bilhão serão aplicados em educação, com transporte escolar acessível, adaptação de acesso a escolas públicas e universidade, construção de salas com recursos multifuncionais, além da oferta de até 150 mil vagas para pessoas com deficiência em cursos federais de formação profissional e tecnológica.

Já na saúde, há previsão de R$ 1,4 bilhão para ações de prevenção às deficiências, maior acompanhamento dos exames no Teste do Pezinho, fortalecimento dos serviços de reabilitação, atendimento odontológico, maior acesso a órtese e prótese, além de reforço de ações clínicas e terapêuticas.

Na área social, serão dispobilizados R$ 72,2 milhões para implantação de Centros de Referência, voltados para o atendimento a pessoas com deficiência em situação de risco, como extrema pobreza, abandono e isolamento social.

Junto com estados e municípios, o governo quer ainda prevê aplicar R$ 4,1 bilhões em acessibilidade. Uma das ações nesse sentido é a possibilidade de todas as 1,2 milhão de residências da Minha Casa, Minha Vida 02 serem adaptadas para pessoas com necessidades especiais.

O plano prevê também a criação de 5 centros de ensino técnico para formação de treinadores de cães-guia. Obras de mobilidade urbana para a Copa também deverão obedecer a critérios de acessibilidade.

Segundo dados obtidos pelo governo com o Instituto Brasileiro de Estatísticas e Geografia (IBGE) no Censo de 2010, 23,91% da população brasileira (cerca de 45,6 milhões de pessoas) possuem algum tipo de deficiência. A SDH diz que o plano busca “promover a cidadania e fortalecimento da participação da pessoa com deficiência na sociedade”

Hello world!

Publicado: 24th Julho 2010 por fco_cleyton em Uncategorized

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